Diretores de cinema para estudar enquadramento e composição fotográfica: Agnès Varda | Blog da Omicron

30 de junho de 2019

Sabe quando a gente passa sempre pelo mesmo local e nunca “dá muita bola” para o que vê? E de repente, vê uma foto feita ali e pensa: “Uau! Eu nunca tinha visto esse lugar dessa forma!”. #QuemNunca 

Isso significa que o(a) fotógrafo(a) fez milagre?  Não! Significa que o(a) profissional teve sensibilidade e, muito provavelmente, olhar técnico para identificar o enquadramento e composição fotográfica que valorizavam o que estava sendo fotografado

Saber qual enquadramento de fotografia fazer e qual composição fotográfica fica mais interesse permitem que a sua foto se destaque entre outras. Mas essa sensibilidade dificilmente vem “da noite para o dia”. Ela precisa de treino. 

Lembram quando falamos nesse post aqui sobre a importância de consumir referências artísticas (visitar museus, consultar livros, estudar iluminação etc.) para fotografar mais e melhor? Pois a série de artigos que começa hoje pode ser considerada uma continuação dele. 

A partir de hoje, traremos mestres do cinema para você estudar enquadramento e composição fotográfica, se inspirar e, claro, identificar com o tempo o que mais lhe agrada e levar isso para sua própria fotografia. Para começar, vamos falar da incrível Agnès Varda. Bora conferir? 

Importante: O objetivo deste post não é fazer você copiar diretores de cinema nem encontrar uma “receita de bolo” para suas fotos, mas sim, que você estude como eles passam a mensagem pelo audiovisual apresentado na telona e como essas inspirações podem ajudar na sua captura de imagens. Boas inspirações! ;) 

Diretores de cinema para você estudar enquadramento e composição fotográfica: AGNÈS VARDA 



A fotógrafa e cineasta, Agnès Varda, com o icônico cabelo "tigela" bicolor, que adotou na melhor idade e lhe rendeu o carinhoso apelido de "vovó punk". Foto: Reprodução.

Em 29 de março de 2019, em decorrência de um câncer, o cinema mundial se despediu de Agnès Varda, mas não de seu precioso legado. 

Cineasta e fotógrafa belga radicada na França, Agnès é um dos principais nomes do movimento Nouvelle Vague. Feminista declarada, seu trabalho também se destacou e se destaca ao lutar contra a desigualdade social e de gênero. - Maravilhosa que fala, né? :3 

La Pointe Courte (1955) 

É em La Pointe Courte, seu primeiro filme, que vemos em 1955 o famoso enquadramento com sobreposições de rostos. Posteriormente, outros famosos diretores fizeram referência a esta cena em seus longas, como em Persona (1966), de Ingmar Bergman; Love and Death (1975), do controverso Wood Allen, e Mulholland Dr (2001), de David Lynch.
 


Sobreposições de rostos em “La Pointe Courte” (1955).

Também é neste filme que vemos como a diretora traz à telona lindas composições fotográficas que unem diferentes proporções dos personagens na imagem e nos dão profundidade de campo. 


Composição fotográfica presente em “La Pointe-Courte” (1955).


Cléo de 5 à 7 (1962) 

Reflexos! Essa é a magia visual que encontramos ao longo de Cléo de 5 à 7

Na trama, acompanhamos o equivalente a duas horas da vida de uma jovem cantora, que neste intervalo, espera ansiosamente o resultado de uma exame de saúde que pode mudar sua vida. Para narrar esta angústia, a diretora traz enquadramentos e composições em que a personagem sempre tem sua imagem refletida. 


Cena de “Cléo de 5 à 7” (1962).

O reflexo tem papel coadjuvante (ou até principal!) na cena, pois mostra a tentativa de Cléo eternizar sua beleza enquanto jovem e saudável em sua memória e, às vezes, até de encontrar a si mesma na imagem refletida. 


Cena de “Cléo de 5 à 7” (1962).

Daguerreótipos (1976) 

Varda sempre foi apaixonada pela figura humana. Tanto que isso a levou a fazer o documentário Daguerreótipos (1976), que aborda o cotidiano dos comerciantes da Rua Daguerre, em Paris, França, onde viveu praticamente sua vida toda. 


Cena de “Daguerreótipos” (1976). 

Predomina-se neste trabalho, o enquadramento muito visto no fotojornalismo e no fotodocumental, onde o indivíduo fotografado posa, olha e fala diretamente com a câmera. A câmera então, deixa de ser um “equipamento escondido” e passa a ser a intermediária entre o retratado e o telespectador.  


Cena de “Daguerreótipos” (1976). 

Gostaram das nossas dicas? O legado dessa cineasta franco-belga é vasto e ico, vale a pena conferi-lo! 

E continue acompanhando o 
Blog da Omicron, que em breve, teremos mais diretores de cinema para você se inspirar e estudar enquadramento e composição na fotografia. 

P.S.: Menos pela estética de enquadramento e composição e mais pela ótima história e retratos, vale a pena assistir ao documentário "Visages, Villages", feito por Agnès e pelo famoso fotógrafo itinerante de mega retratos, JR. O trailer no link dá uma palhinha do quão encantador é a dinâmica da dupla e a sua busca em comum por personagens. 


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