Por que eu falo tanto de Flash.

5 de maio de 2018
Lembro que no início de minha carreira não existia uma Omicron Escola de Fotografia, ou uma Portfólio de meu amigo Nilo. Tínhamos, por sorte, a FHOX, uma estruturada escola de fotografia que ficava na José de Alencar, 20 min minutos de caminhada aqui de casa. Mas quando olho para aqueles anos 80 vejo o quanto nos profissionalizamos, o quanto o ensino da fotografia ganhou em qualidade, quantidade e estrutura. Mas devemos um tanto disso à FHOX e, modéstia parte, à Omicron que surge como escola no início dos anos 90.

Naqueles dias, meados de 86, era super complicado encontrar alguém que soubesse mesmo usar bem um flash. Tudo girava em uma informação dita por fotógrafos e repetida por eles a exaustão. Informações desencontradas e, na maioria das vezes, forjada no calor da atividade diária de um profissional que repetia o dito sem refletir sobre. Era uma outra época.

Entrei na Diafilme, sempre a Diafilme, e comprei um Metz CL4 com um difusor. Hoje percebo que minha persistência, para não dizer teimosia, e aquele Metz (flash alemão da mais alta qualidade) foram meus professores. A minha querida amiga Eliane Sant'Ana, na época minha namorada, servia de cobaia. Íamos até um parque e lá eu a fotografava com filme diapositivo (cromo) e gravava tudo que eu fazia num pequeno gravador de bolso - daqueles com fitinhas minúsculas de secretária eletrônica - acionado por voz. "Fundo -1, modelo zero; fundo zero, modelo zero" falava em voz alta a relação de força entre as luzes nos meus cálculos de luz mista.

A Eliane ficava lá imóvel, com a paciência que só os muito jovens e apaixonados tem. Depois de revelados os slides, comum nome para os cromos 35mm, eu os colocava em molduras e num projetor de slides. Projetava o primeiro slide na sequência em que foi fotografado e acionava o player da fita. Ouvia atentamente cada argumento técnico, cada observação, cada detalhe dito enquanto mudava os slides. Foram dias de grande aprendizado e de aprofundamento de meu amor pela fotografia.

Anos mais tarde o velho Metz quebrou e eu já era professor da UFPR, onde ministrei aulas por 15 anos. Comecei a notar o grande preconceito em relação ao uso do flash. Um preconceito mitificado pelos grandes fotógrafos que afirmavam não usar de luz artificial. Uma turba ouviu e seguiu cegamente os dizeres de mestres como Bresson e Salgado. Seguidores da luz natural, da luz existente, do feixe de energia contínua. Amaldiçoaram o relâmpago do flash e o afastaram com reclamações sobre a qualidade duvidosa de sua luz.

Porém, o que poucos perceberam é que o Flash é uma das maiores marcas identitárias da fotografia, pois não comungamos ele com nenhuma outra área técnica de produção de imagens. Nem cinema, nem vídeo o usam. Por razões óbvias. Mas pelas mesmas razões todas essas áreas comungam de lentes, de câmeras, de sensores, de pixels, de refletores de luz contínua, de diafragmas e obturador. Parte do que nos difere tecnicamente é o flash e seu casamento perfeito com a imagem estática produzida pela fotografia. Talvez essa seja uma das principais razões de eu defender tanto o aprendizado sério do flash e da filosofia de seu uso.

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Saudações fotográficas,

Osvaldo Santos Lima




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