Interessante observar como as redes sociais ampliaram os egos individuais ao ponto de hoje existirem fotógrafos confinados a este pequeno mundo de virtualidade. Há, inegavelmente, grandes projetos levados adiante por pessoas que se dedicam seriamente a fotografia e estampam isso de diversas formas no mundo real e virtual. mas há, também de forma inegável, pseudo-fotógrafos que são escrevinhadores de banalidades, cronistas da virtualidade, redatores de vidas presas a um projeto egocêntrico que coloca o fotógrafo a frente da fotografia, o homem acima da obra.
Fotógrafos são importantes para uma sociedade pelo seu acréscimo visual à história, as artes, a economia, etc. O que vejo é um fenômeno contemporâneo nas redes sociais como flickr, twitter, orkut onde egos se degladiam em busca a um espaço que talvez as realizações sociais da vida dita “real” sejam pobres demais, desimportantes para os mecanismos legitimadores da sociedade.
Assim, de certa forma, se busca nestas redes um discurso do “eu fiz”, “criei hoje”, “fui capaz de”, etc. que acaba servindo de escape para realizações menores ou menos capazes de serem notadas fora do reino virtual. A internet e seu assombroso poder de comunicar e interligar comunicantes foi a grande revolução pós-industrial. Porém, como toda grande revolução, deve trazer novas patologias psicosociais.
Digo isso por preocupar-me seriamente com a formação dos novos fotógrafos que deve ser primeiro feita na dureza do solo real para, quando a sua fotografia amadurecer, colherem os frutos virtuais ou não.
saudações fotográficas,
Osvaldo Santos Lima
Sem categoria | 16 abril, 2010
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